sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
 
 

São Paulo compartilha lições da crise hídrica com australianos

 
 
 
 
Reuniões com delegação australiana ocorreram no início desta semana em São Paulo (Foto: Gruiz)
 
 
 
 
As ações adotadas pelo Governo do Estado para enfrentar a severa estiagem que atingiu São Paulo nos anos de 2014 e 2015 foram as principais lições aprendidas por uma delegação australiana que visitou a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos no início desta semana. Durante três dias, os especialistas tiveram a oportunidade de conhecer as estratégias desenvolvidas pelo corpo técnico da Secretaria para superar aquela que é tida como a pior crise hídrica dos últimos 84 anos.

O Secretário de Saneamento e Recursos Hídricos e Presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, recebeu o grupo e fez uma breve introdução ao tema na segunda-feira (12). Na sequência, a Secretária-adjunta, Monica Porto, conduziu os trabalhos. “Foi uma excelente oportunidade para compartilhar os conhecimentos que adquirimos com esta experiência singular. Além disso, a troca de experiências permitiu refletir sobre nossas ações, onde acertamos e onde podemos melhorar. Os representantes australianos nos trouxeram valiosas informações e concluímos que temos muitos desafios em comum”, refletiu Monica Porto.

“O intercâmbio de conhecimento entre a Austrália e São Paulo sobre gestão da demanda, controle de perdas, aumento da capacidade de reservação e instrumentos econômicos e tarifários, certamente irá nos ajudar a moldar e aperfeiçoar as nossas políticas públicas existentes, criando meios para garantirmos maior segurança hídrica em tempos de instabilidades climáticas”, destacou o Assessor de Relações Internacionais da Secretaria, Patrick Johann Schindler. Segundo ele, é preciso tornar as cidades cada vez mais resilientes e “para isso, necessitamos de um plano robusto de alocação de água que consiga solucionar os diversos conflitos pelo uso deste bem escasso”.

Na avaliação dos integrantes, a troca de conhecimento foi especialmente produtiva, pois ambos tiveram de lidar diretamente com os desafios apresentados durante períodos agudos de estiagem. Do lado australiano, a escassez hídrica foi tão significativa a ponto de ser conhecida como a “seca do milênio”. O fenômeno atingiu o país no início da década passada e durou pelo menos oito anos. A intensidade foi suficiente para motivar as autoridades locais a reverem diversas políticas públicas em torno do uso da água.

Além da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, o grupo visitou as instalações da Sabesp, onde está o centro de monitoramento de dados, unidade que desempenha papel fundamental na adoção das estratégias em caso de escassez hídrica. Eles também conheceram o programa de estímulo ao uso racional da água desenvolvido pela companhia, o PURA. O tour foi completo com uma visita ao departamento de engenharia da Escola Politécnica da USP.

A visita é mais um fruto das ações iniciadas em novembro de 2015, quando a Ministra de Relações Exteriores da Austrália, Julie Bishop, esteve em São Paulo e se reuniu com o Secretário de Saneamento e Recursos Hídricos. Do encontro, resultou o Workshop São Paulo & Austrália - Estudos, Políticas Públicas e Gestão dos Recursos Hídricos, que teve como objetivo a troca de experiências vividas em período de grave seca. Depois, em maio deste ano, São Paulo e Austrália assinaram um protocolo de intenções para desenvolver projetos nas áreas de educação, gestão hídrica, meio ambiente, além de fomentar a cooperação no âmbito comercial e de investimentos e de intercâmbios culturais.

O grupo que esteve na Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos era composto de dois representantes do Instituto de Futuros Sustentáveis, Staurt White e Joanne Chong; do ex-Secretário-adjunto do Departamento Australiano de Sustentabilidade e Água, James Horne; e do engenheiro especializado em alocação e suprimento de água do Departamento de Água do Oeste Australiano, Roy Stone.

 
  Share on FacebookTweetShare on Google+Post to TumblrShare on LinkedInSend email
Mais notícias