quinta-feira, 03 de novembro de 2016
 
 
Presidente da Sabesp participa de seminário sobre águas costeiras
 
 
 
 
Jerson Kelman, Débora Blanco, João Paulo Tavares Papa, José Roberto Castilho Piqueira e Benedito Braga (Foto: Gruiz)
 
 
 
 
O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, participou na manhã desta quinta-feira (03) do Seminário Internacional de Qualidade das Águas Costeiras no Estado de São Paulo, promovido pela Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado, em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e a Prefeitura de Santos. A programação do evento se estende ao longo do dia e tem continuidade na sexta-feira (04). O objetivo do encontro, que acontece no teatro Guarany, em Santos, é fazer uma avaliação dos principais fatores que afetam a qualidade das águas na costa paulista, de modo a fornecer subsídios para a definição de novos programas e políticas públicas.

Em palestra na abertura do seminário, Kelman fez uma apresentação dos trabalhos que a Sabesp executa no litoral paulista para o abastecimento de água da população e coleta e tratamento de esgoto e destacou os desafios na região, a começar pelo tamanho da área. São 883 quilômetros de costa em 16 municípios, divididos na exposição do presidente da Sabesp entre a Baixada Santista e o Litoral Norte. Em ambos os casos, há desafios como ocupações irregulares e a população flutuante que a região recebe durante as temporadas de verão.

Enquanto na Baixada Santista a população de 1,5 milhão de pessoas sobe para três milhões, no Litoral Norte o número salta de 300 mil para cerca de 1,2 milhão, multiplicando-se por quatro. “Temos que dimensionar o sistema de coleta e tratamento de esgoto para o pico. Isso exige investimentos altos”, disse Kelman, explicando que há modelos no mundo que estabelecem a cobrança de tarifa sazonal para adequar essa situação, assunto que precisa ser discutido com a Agência reguladora de Energia e Saneamento do Estado de São Paulo (Arsesp).

Ele apresentou números que mostram o sucesso de programas da Sabesp no litoral, como o Onda Limpa, que ampliaram o abastecimento de água e a coleta e tratamento de esgoto em toda a região. Kelman destacou, no entanto, que desafios como o atendimento às áreas irregulares não dependem unicamente da Sabesp, necessitando de ações conjuntas da companhia, das prefeituras e do Ministério Público. Esse atendimento é importante para evitar o lançamento irregular de esgoto, que compromete estuários e a qualidade da água do mar.“A Sabesp não consegue fazer isso sozinha. Isso exige uma real vontade de resolver o problema e uma aliança entre Sabesp, poder municipal e Ministério Público”, afirmou.

Kelman ainda apresentou números referentes a investimentos que a Sabesp faz na Baixada e no Litoral Norte, sempre superiores à receita que a empresa obtém com a cobrança da conta de água da população dessas regiões. “Como a Sabesp não recebe nenhum centavo de subsídio do Governo Federal, do Governo Estadual ou dos municípios, isso só é sustentável porque é pago pela conta de água de gente de outros municípios. Nós temos subsídios cruzados. Tudo o que ela [Sabesp] gasta depende da conta de água paga pela população”, disse.

O secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, também participou da abertura do seminário e também destacou a questão econômica envolvida no tema. Ele lembrou que ONU emitiu resolução com metas do desenvolvimento sustentável para 2030 que especificam objetivos em relação ao saneamento e tratamento de esgoto e disse que é importante ouvir as experiências de especialistas presentes no evento. “Mas a questão não é só a tecnologia em si. Outros fatores têm que ser agregados: a questão econômica, a questão social. Existe tecnologia para deixar a água pura, mas isso tem um custo”, afirmou. Saiba mais.

O deputado federal João Paulo Papa disse que a questão da balneabilidade das praias veio ganhando importância desde os anos 1990 e destacou iniciativas das prefeituras e do Governo do Estado voltadas para o tema, além do programa Onda Limpa da Sabesp. Mas ele chamou atenção para a necessidade de resolver o problema. “Os desafios vão além dos investimentos. Temos que avançar na questão das ocupações irregulares nos estuários, que obviamente prejudica, e muito, a qualidade das águas. Isso depende de uma discussão ampla, que sei que este seminário está propondo. Temos que fazer com que a cobertura de esgoto possa chegar à universalização”, disse.

Também estiveram presentes na abertura a secretária de Meio Ambiente de Santos, Débora Blanco, e o diretor da Escola Politécnica da USP, José Roberto Castilho Piqueia, entre outras autoridades. 
 
 
 
   
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