sexta-feira, 07 de outubro de 2016
Operações caça-fraude da Sabesp registram mais de 100 pessoas indiciadas por furto este ano
 
A Sabesp tem intensificado as ações de combate ao furto de água na Região Metropolitana, contando com o apoio da Secretaria da Segurança Pública do Governo do Estado de São Paulo nas operações caça-fraude da companhia. Para se ter uma ideia, de janeiro a setembro deste ano essas operações resultaram no indiciamento de 110 pessoas, a grande maioria por furto de água. No igual período de 2015, houve 102 indiciamentos, o que representa uma alta de 7,3%.

Os “gatos” na rede de água são vistos muitas vezes como um delito menor, sem grandes consequências. Mas isso não é verdade: consumir água tratada sem pagar é crime de furto, tipificado no Artigo 155 do Código Penal e que prevê de um a quatro anos de reclusão, caso o suspeito seja condenado. Nos casos em que o furto ocorre com a participação de duas ou mais pessoas ou destruição de equipamentos, o crime é qualificado, o que eleva a pena para até oito anos de cadeia.

Indiciados - Dos mais de cem indiciados este ano, todos foram encaminhados a um distrito policial para prestar esclarecimentos e dar início ao inquérito.
 
(Foto: Sabesp)
Um exemplo disso foi registrado na quinta-feira passada, 29 de setembro: equipe da Sabesp identificou adulteração no hidrômetro de uma fábrica de produtos de limpeza no Jardim Dom José, na Zona Sul da capital, cujo proprietário foi encaminhado para depor no 47º DP, antes de ser liberado. Ele foi indiciado por furto qualificado. Nesse caso, houve o desvio de aproximadamente 200 mil litros de água, volume suficiente para abastecer 48 pessoas durante 30 dias.

Situação semelhante foi constatada em outra ação da Sabesp, em 22 de setembro. Nessa data, equipe caça-fraude identificou ligação direta à rede de água, sem passar pelo hidrômetro, em uma sorveteria na Penha, Zona Leste de São Paulo. O proprietário também foi encaminhado para depor, dessa vez no 10º DP, e responderá a inquérito por furto qualificado. Nesse imóvel, houve o furto de cerca de 470 mil litros de água, que poderia abastecer 143 clientes durante 30 dias.

Também no dia 22, agentes da Sabesp encontraram hidrômetro travado em uma residência no Jardim Noêmia, Zona Leste, cujo responsável foi indiciado por furto qualificado e encaminhado para averiguação no 59º DP. Nesse imóvel, foram furtados 240 mil litros de água, volume suficiente para atender um grupo de 73 habitantes ao longo de um mês.


Nesses três casos, os suspeitos podem ser processados e condenados por furto, mas há situações em que o criminoso vai preso em flagrante e, em algumas delas, inclusive, sem possibilidade de fiança.

Sem fiança - Foi o que aconteceu em 20 de julho passado, em imóvel residencial no bairro Baeta Neves, em São Bernardo do Campo. Na ocasião, a Sabesp constatou ligação direta à rede de água da empresa, sem passar por hidrômetro – o responsável foi preso e indiciado por furto qualificado, pois a tubulação da companhia foi danificada para possibilitar a fraude. O caso foi registrado no 1º DP de São Bernardo e o delegado considerou que, por se tratar de crime com previsão de pena máxima de prisão superior a quatro anos, não cabia fiança. Somente nessa residência houve a subtração ilegal de mais de 1,5 milhão de litros de água, que poderia abastecer 470 pessoas no período de 30 dias.

Para chegar a esses resultados, a Sabesp realiza operações conjuntas com a Polícia Civil para casos em que o fraudador impede a fiscalização e também para prender os agentes fraudadores - que vendem a adulteração a moradores, comerciantes e indústrias.

Tecnologia - São mais de 60 equipes caça-fraude que realizam vistorias todas as semanas na Região Metropolitana de São Paulo, usando tecnologia avançada no combate ao furto de água. Os agentes das operações caça-fraude utilizam, por exemplo, uma sonda especial que é inserida no cavalete do imóvel. O equipamento utiliza raios infravermelhos, como no controle remoto da TV, para fazer uma varredura da tubulação e verificar se existe alguma irregularidade que possa burlar a medição do hidrômetro. Tudo é realizado de forma rápida, sem a necessidade de quebrar o piso.

Outro equipamento que tem tornado mais difícil a vida dos fraudadores é o detector de ímãs. Com ele, mesmo estando no lado de fora do imóvel, o técnico da Sabesp consegue verificar se existe um campo magnético fora do comum próximo ao hidrômetro – indício de que um ímã pode estar em uso para prejudicar ou impedir a medição do consumo de água.

Além disso, a companhia está gradualmente substituindo os hidrômetros convencionais por modelos blindados contra ímãs e que não podem ser burlados por ondas magnéticas. Essa troca não está restrita aos casos de suspeita de fraude com ímã: todos os hidrômetros da companhia serão substituídos gradualmente pela nova tecnologia. Em média, a substituição dos hidrômetros é efetuada a cada seis anos.

Vale destacar que a prática de “gato” penaliza os clientes que pagam em dia sua conta de água, sem contar que o infrator não se preocupa com o desperdício. O gasto descontrolado muitas vezes prejudica os vizinhos do criminoso, tirando água da rede que poderia atender a muitas pessoas. Quando o furto é comprovado, a Sabesp cobra retroativamente pela água consumida e não registrada.

A Sabesp ressalta a importância da população na identificação do crime de furto de água pelos telefones 195 ou pelo Disque-Denúncia (telefone 181), cuja chamada é gratuita e não exige a identificação de quem telefona. “A fraude prejudica toda a população. Quem comete o crime não se preocupa com o desperdício, pois acredita que não irá pagar pelo alto consumo. É comum entre fraudadores deixar torneiras abertas e não consertar vazamentos”, afirma Marcelo Fridori, superintendente de Auditoria da Sabesp.
 
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