terça-feira, 02 de julho de 2016
Secretário abre seminário sobre a crise hídrica
 
O Secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, participou da aberta da décima edição do Ciclo de Eventos Caminhos da Engenharia Brasileira. O tema escolhido para esta terça-feira, 2, foi a crise hídrica enfrentada pelo estado de São Paulo em 2014 e 2015. Com o título “Como foi administrada a pior seca da história paulista”, o seminário organizado pelo Instituto de Engenharia reúne as experiências de técnicos e especialistas que lidaram diretamente com os desafios apresentados durante o período de estiagem.

“Tivemos muitos profetas do apocalipse, dizendo que o sistema ficaria sem água. E ainda hoje existem alguns que estão prevendo que o Cantareira vai secar. Não vamos fazer aqui o papel inverso, dizendo que tudo é um mar de rosas. Claro que não. Mas acho que o governo de São Paulo trabalhou com muito rigor, com muita energia e dentro da mais rigorosa técnica. E é assim que vamos continuar a trabalhar no futuro”, destacou o secretário na abertura da palestra, logo após elogiar o corpo técnico de Sabesp e do DAEE.
 
Secretário abre seminário sobre crise hídrica (Foto: SSRH)
As palestras matinais ainda contaram com a presença do presidente da Sabesp, Jerson Kelman, falando sobre cenários futuros. Ele ressaltou, em sua apresentação, que a Sabesp está investindo em obras estruturantes para aumentar a segurança hídrica, como a PPP São Lourenço, que aumentará a produção de água em 6,4 m³/s (em andamento); a interligação Jaguari/Atibainha (5,3 m3/s) e a captação de água no Rio Itapanhaú (2,5 m3/s). Além disso, o presidente elogiou a capacidade técnica do corpo de engenheiros para buscar alternativas para enfrentar a crise. "Felizmente, as escolhas foram um sucesso para que São Paulo não entrasse em colapso. Depois da primeira medida (reserva técnica), diversas ações foram tomadas, como o programa de bônus, transferência de água entre os sistemas e a diminuição da pressão nas tubulações. Aliás, a redução de pressão, apesar de causar algum desconforto à população, se mostrou necessária e inevitável, pois a crise atingiu a todos. A instalação de válvulas redutoras de pressão (VRPs) fez com que houvesse regularidade no abastecimento", lembrou.

As apresentações seguiram com uma equipe de engenheiros da companhia apresentando seus trabalhos técnicos; Renato Frazão e Carlos Pleu, do ME, falando sobre as obras no Rio Pequeno, Rio Grande e Rio Taiaçupeba; Alberto e Jose Basílio, da MM, discutindo sobre soluções para bombeamento e geração de energia; Saullo, do MAT, sobre implantação de sistema de membranas; Silvana, do MAG, comentando sobre o atendimento aos sistemas produtores e, por fim, Roberval, do MS, sobre gestão de pressão. Em seguida, foi aberto espaço para questões da plateia e um intervalo para o almoço.

No período da tarde, as apresentações começaram às 14h30 com o superintendente da TE, Silvio Leifert, que ilustrou, com imagens atuais das obras e maquetes digitais, a construção do Sistema São Lourenço, com previsão de término para 2017.

Em seguida, Marcelo Gonçalves de Jesus, coordenador de Empreendimentos TG, mostrou à plateia fotos das obras da interligação das represas Jaguari-Atibainha, que serão finalizadas em 2018, e destacou a importância do esforço dos órgãos envolvidos. "Estão todos bem comprometidos com essa construção e queremos fazer dar certo", disse.

O engenheiro Marco Antônio Barros, superintendente da Sabesp, destacou as obras de emergência que a companhia fez no período de estiagem e expôs a estratégia operacional de enfrentamento da crise, citando a flexibilização e interligação dos Sistemas de Água Tratada - que já era possível, visto que a integração dos mananciais para transferência de um para o outro já havia sido concluída para o uso, caso precisasse; a utilização das reservas técnicas dos mananciais e os aportes de novas fontes de água bruta. "Muitas vezes a necessidade passava pelo aporte de água tratada. Apesar de todas as economias e as políticas de perdas, era necessário um aporte para que, em um momento de maior consumo, pudéssemos fazer frente a essa demanda ofertando água o suficiente para que não tivéssemos grande impacto e reclamações dos nossos clientes", afirmou.

Guilherme Machado Paixão, também engenheiro superintendente da Sabesp, destacou as ações realizadas no Sistema Cantareira e justificou o uso do volume morto, explicando de onde veio a ideia da utilização das reservas técnicas, localizadas abaixo do nível mínimo da estrutura de captação de água nas represas. "A Diretoria Metropolitana comentou sobre a utilização de uma reserva técnica, o volume morto, em outro estado. Nós tínhamos estudos sobre a reserva do Sistema Cantareira de relação cota/volume, ou seja, sabíamos exatamente, na medida que a água fosse abaixando no reservatório, quanto por dia poderíamos utilizar desse volume. Reunimos técnicos da Sabesp e, depois de estudos, foi decidido que teríamos duas reservas técnicas, uma em Joanópolis e outra em Nazaré Paulista e, à medida que a água do Cantareira fosse abaixando, as águas das reservas fluiriam e o nível do Cantareira subiria", disse. Sobre a interligação das represas Jaguari-Atibainha, que está em execução, e as obras de transposição do Rio Itapanhaú, que foram aprovadas pelo Consema no último dia 27 (veja aqui), Edison Arioldi, diretor da Sabesp, afirmou que ambas as obras têm o objetivo de aumentar a capacidade de produção. "A Região Metropolitana de São Paulo teve um crescimento altíssimo em muito pouco tempo. A população dobra a cada década e é uma região que não tem água. Considerando a disponibilidade hídrica, temos cerca de 34 m³/s por habitante/ano e esse número vem crescendo, portanto vivemos em uma região de extrema escassez hídrica. O que nós queremos com essas obras é aumentar a segurança hídrica na RMSP, aumentar a oferta de água tratada para o abastecimento público na região e beneficiar a população", concluiu.

Por fim, Paulo Massato, diretor metropolitano da Sabesp, reforçou que as reservas técnicas tiveram, sim, grande impacto e destacou que, além disso, durante a crise, a companhia realizou interligações de quase 500 hospitais ao sistema adutor com o objetivo de resguardar o uso da água para os pacientes e trabalhadores desses locais, no caso de escassez de água. "Deixamos nosso legado e a probabilidade de uma nova crise é muito baixa. Ligadas as obras de reversão no Jaguari-Atibainha, em um novo evento, elas poderão ser utilizados".

Confira a programação completa do evento abaixo.

Período da Manhã

9h - Abertura – Camil Eid, presidente do Instituto de Engenharia, e Miriana Marques, vice-presidente de Atividades Técnicas do Instituto de Engenharia.

9h15– Causas da Crise Hídrica - Dr. Benedito Braga, secretário Estadual de Recursos Hídricos.

9h45 - Palestra SABESP – Cenários futuros – Dr. Jerson Kelman, presidente da Sabesp.

10h15 - Apresentação de Trabalhos Técnicos pela Equipe de Engenharia da SABESP.

10h20 - Obra do Rio Pequeno/Rio Grande/Taiaçupeba (Renato Frazão – ME/Carlos Pleul - ME).

10h40 - Soluções para Bombeamento e Geração de Energia (Alberto - MM/ José Basílio - MM).

11h - Implantação de Sistema de Membranas (Saullo - MAT).

11h20 - Flexibilização do Atendimento dos Sistemas Produtores (Silvana - MAG).

11h40 - Gestão de Pressão (Roberval - MS).

12h - Espaço para questões da plateia.

Período da Tarde

14h30 - Abertura - PPP São Lourenço (Sílvio Leifert – superintendente TE).

15h - Obra da Represa do Jaguari (Bacia do Paraíba do Sul) para a represa do Atibainha (Sistema Cantareira - Marcelo Gonçalves de Jesus, coordenador de Empreendimentos TG).

15h30 - Painel 1 - Obras de Emergência e Interligação de Sistemas de Águas Tratadas - eng. Marco Antônio Barros – superintendente SABESP.

16h - Painel 2 – Obras de emergência no Cantareira e Reservas Técnicas - eng. Guilherme Machado Paixão – superintendente SABESP.

16h30 - Painel 3 – Interligação Jaguari Atibainha e Sistema São Lourenço: Dr. Edison Airoldi – diretor SABESP.

17h - Painel 4 - Segurança Hídrica e Sistemas de Abastecimento – Dr. Paulo Massato Yoshimoto, diretor Metropolitano SABESP.

17h30 - Debate Técnico – Coordenado por Roberto Kochen, diretor de Infraestrutura do Instituto de Engenharia.

18h - Encerramento – Camil Eid, presidente do Instituto de Engenharia, e Miriana Marques, vice-presidente de Atividades Técnicas do Instituto de Engenharia
 
Mais notícias